Um adeus com Página esquecida para violoncelo e piano de Lopes-Graça

Devido à minha indisponibilidade, deixo os artigos à oferta da rede e Alberto Augusto não voltará a postar. Que eles sirvam de ensino e sabedoria para os muitos que possam visitar esta página!

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E como adeus, decidi fazê-lo com Lopes-Graça, este português compositor que nasceu em Tomar no ano de 1906 e faleceu em 1994. A obra que vos apresento é Página Esquecida para violoncelo e piano. Com música me despeço.

A despedida de Gustav Leonhardt, jornal Expresso

Músico holandês faleceu segunda-feira, aos 83 anos, mas só hoje a sua morte foi tornada pública. Só tinha deixado os palcos em dezembro do ano passado.

Foi um dos grandes intérpretes de música barroca do século XX e como tal primou pela polivalência: cravista, organista e maestro, Gustav Leonhardt, morto aos 83 anos, contribuiu para afirmar o conceito de interpretação histórica e dedicou-se com alma àquela causa.

Nascido na Holanda, em 1928, cedo determinou o seu caminho, iniciando-se no cravo e no órgão antes de migrar para Basileia, na Suíça, onde estudou na prestigiada Schola Cantorum sob a tutela de Eduard Müller.

A par de uma carreira docente que jamais interromperia, Leonhardt começou nos anos 50 um percurso como solista que rapidamente o internacionalizou, tendo gravado a integral das Cantatas de Bach, com Nikolaus Harnoncourt, entre 1971 e 1990. Ao todo, o seu catálogo atinge os 300 discos.

Destacou-se igualmente no campo da musicologia: é da sua autoria o estudo “A Arte da fuga de Johann Sebastian Bach”, além de outros volumes, como uma coletânea de música de câmara do século XVII, que supervisionou.

A 12 de dezembro passado, em Paris, já doente e debilitado, anunciara que não voltaria aos palcos. O centro cultural De Nieuwe Kerk, de Amesterdão, divulgou ontem o seu desaparecimento, na segunda-feira, na sua casa naquela capital.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/a-despedida-de-gustav-leonhardt=f700088#ixzz1jq5ydow9

Só fazem falta aqueles que não estão. Homem que toca assim Bach, é de chorar por ele!

Meia hora de Renascença

Hoje trago-vos uma compilação de obras da Renascença. Os detalhes e nomes das faixas estão na descrição abaixo. Maravilhem-se!

COMPENDIUM OF RENAISSANCE MUSICAL INSTRUMENTS
Keyboard Instruments: Italian & Flemish Harpsichord, Claviorganum, Virginal, Clavichord, Organ, Regal

ANTONIO DE CABEZÓN [1510 – 1566]
Differencias sobre la Gallarda Milanese – 0:00
Guy Penson (Italian harpsichord)

PETER PHILIPS [c. 1560 – 1628]
Margot labourez les vignes after Roland de Lassus – 2:56
Siebe Henstra (Flemish harpsichord)

LEONARD KLEBER [c. 1495 – 1556]
Fantasia in F major – 5:18
Wolfgang Walter (Kunst und Wunderkamer des Dommuseums, Saltzburg, claviorganum)

THOMAS TOMKINS [1572 – 1656]
A fancy for two to play – 7:43
Guy Penson, Jean Ferrard (virginal)

ENGLISH ANONYMOUS [XVII Century]
My Lady Carreys Dompe – 10:01
Guy Penson (virginal)

KONRAD PAUMANN [c. 1410 – 1473]
Mit ganczem willen – 11:43
Guy Penson (clavichord)

PIERRE ATTAINGNANT [1494 – 1551/2]
Tant que vivray – 13:16
Guy Penson (clavichord)

LEONARD KLEBER [c. 1495 – 1556]
Praeambulum – 15:10
Clav. I: Grosse Flute / Prestant 4′ Quinte / Fourniture / Tiercelette; Clav. II: Régale

PAUL HOFHAIMER [1459 – 1537]
Carmen – 15:53
Clav. I: Grosse Flute / Traversine Quinte / Tiercelette; Clav. II: Régale

JEAN DE MACQUE [c. 1548 – 1614]
Consonanze stravaganti – 18:28
Montre 8

PIERRE ATTAINGNANT [1494 – 1551/2]
Magnificat octavi toni – 20:53
Verset I: Montre / Prestant / Fourniture / Trompette
Verset II: Prestant / Fourniture
Verset III: Grosse Flute / Prestant / Quinte
Verset IIII: Trompette / Prestant / Quinte Cymbale

THOMAS TALLIS [c. 1505 – 1585]
Ecce tempus idoneum – 24:57
Montre et Grosse Flute

ENGLISH ANONYMOUS [XVII Century]
Upon la mi re – 26:56
Prestant
Jean Ferrard (J. de Treves, 1537, Triforium de la Cathédrale de Metz organ)

MARCO ANTONIO CAVAZZONI [c. 1485 – c. 1569]
Ricercata – 29:11
Liuwe Tamminga (L. da Prato, 1471/5, Basilica di San Petronio organ)

JOHANNES CICONIA [c. 1330 – 1412]
Con lagrime – 32:51
Bernard Foccroulle (Anonymous, XVI Century, Bruxelles Musée Instrumental, Cat. Mahillon n° 454 regal)

[on authentic instruments]

Até para o ano!

O ano de 2011 contado a partir do suposto nascimento de Jesus Cristo foi mais um conjunto de 365 dias vividos (com mais algumas horas, visto que o ano tem aproximadamente 365,25 dias). É importante referir que devido a esta imprecisão do ano, 2012 será um ano bissexto e, por isso, Fevereiro terá 29 dias.

Não entendo tanto alarido pela transição de ano, não entendo a frase popular “Ano novo, vida nova”, não entendo porque se festeja tal acontecimento; ou se calhar até entendo, mas não partilho dessas emoções. Mudar de ano é apenas afirmar que a Terra já andou à volta do sol durante esse período de tempo.

Fantasias sobre um começo melhor há muitas e quem as projeta continua sempre com a treta da sua vida. Aconselho simplesmente a sonhar, não a fantasiar. Uma vez, um senhor de muitos nomes e civilmente chamado Fernando Pessoa disse-nos «Deus quer, o homem sonha e a obra nasce.» E se não é Deus a querer, é o homem a querer. E muita força é preciso para se querer!

Por isso, digo para continuarem a querer e para não pararem de sonhar. Mas que não fantasiem, porque quanto maior é a subida, maior é a queda.

Convosco deixo-vos música de esperança.

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Sinfonia No. 9 em Mi menor, Op. 95 «Do Novo Mundo» de Antonín Dvořák

Dvořák, tal como Beethoven, tem como sua obra mais aclamada a sua Nona Sinfonia e, também como Beethoven, essa foi a última sinfonia que compôs. Foi composta em 1893 no período em que o compositor estava nos Estados Unidos.

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Bom ano!

Capriccio para oboé e onze cordas de Krzysztof Penderecki

Nascido em 1933 na Polónia, Krzysztof Penderecki é um compositor de música da vanguarda. Aclamado mundialmente no campo musical, as suas composições, no início da sua carreira, exploraram novas virtudes musicais e, numa fase posterior, o  compositor optou pelo conservadorismo usando o tonalismo com elementos atonais.

A obra que vos apresento aqui para oboé solo e um agrupamento de cordas foi composta em 1965. É de realçar o modo extravagante como são explorados os timbres dos instrumentos. As cordas conseguem chegar a funcionar como percussão e acompanham de um modo tão variado o oboé que exibe as suas qualidades virtuosísticas pelo staccato, pelo grande exercício de dedos que é obrigado a produzir, pelos glissandos  e sons extranhos produzidos com a ajuda da sua embocadura, pelo explorar da altura dos sons e pelos trémolos rápidos. As cordas, por si só, não apresentam um mero acompanhamento, mas são como uma segunda atmosfera que se eclode dentro daquela que o paganini do oboé está a criar.