Bolero de Maurice Ravel

Ravel admitiu que a sua peça de mais agrado do público era uma obra para orquestra sem música. E tinha razão ao dizê-lo. Embora a repetição seja um dos princípios da música e que o uso abusivo da repetição torna-se monótono, as variações das cores instrumentais do Bolero de Ravel tornam-na deveras muito interessante sob um ritmo de dança obsessivo. Eis aqui o segredo da sedução e agradabilidade da obra. A conjugação de timbres nunca na música foi tão importante como nesta peça. Ela é uma prova da importância desse pilar que é o timbre. Mas também notório é o aumento gradual de intensidade que do começo ao final actua como uma linha diagonal.

Mas afinal o que é o Bolero?

E é aqui que entra Espanha, um país que admiro muito pelas suas melodias e ritmos característicos. A origem do nome é talvez do verbo volar (voar) e do nome boleras que foi dado à primeira cigana a dançar este tipo de dança por ter bolas de ouro a adornar os seus vestidos como é típico da tradição gípcia (bolitas de pasamenaría).

Embora no início, a peça de Maurice Ravel se designa-se por Fandango que também é uma dança típica de Espanha, ela acabou por ser mudada para Bolero devido às parecenças que tinha com a dança Bolero no que diz respeito à melodia e harmonia estarem sobre a base de um ritmo recorrente.

De tempo moderado e de compasso ternário, os dançarinos acompanham a dança cantando e tocando castanholas; por vezes, também guitarra e tamborim. O seu ritmo tem grandes semelhanças com o da polonaise tanto explorada por Chopin. É dançada por um par, mas nas performances teatrais é dançada por quatro a oito pares.

E porque nem todo o sentimento e interpretação é igual, eis aqui duas execuções por parte de dois grandes maestros da actualidade, Daniel Barenboim e Gustavo Dudamel, cujo último maestro dá uma velocidade peculiar à obra, mais lenta do que habitual.

E ia-me esquecendo afirmar que é a peça mais tocada da música francesa.

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