The Ebony Concerto de Igor Stravinsky (nova edição)

Para quem ainda não viu o artigo The Ebony Concerto de Igor Stravinsky neste blogue, poderá vê-lo aqui: https://culturadoiro.wordpress.com/2011/09/29/the-ebony-concerto-de-igor-stravinsky/

Decidi colocar uma nova edição desta obra porque encontrei uma relíquia num site que vos pode ser muito proveitoso: http://www.archive.org. Internet Archive é o seu nome e é a Biblioteca de Alexandria da Internet. Disponibiliza ficheiros de áudio, vários livros digitalizados de inúmeras bibliotecas, entre outros tipos de ficheiro que pertencem ao domínio público.

Tal relíquia que falo é a gravação original da jazz band com os mesmos protagonistas da première, enunciados no artigo já postado. Eis a foto de um ensaio em que Stravinsky dirige a jazz band liderada pelo clarinetista Woody Herman, ao lado direito de Stravinsky.

E eis aqui a gravação da obra pelos referidos acima num disco de 78 rotações (disco de goma-laca, antecedente do de vinil) datada de 1946, o mesmo ano da première. O som está imperfeito, mas dá para ter uma noção.

http://ia700303.us.archive.org/9/items/StravinskyEbonyConcerto/Stravinsky-EbonyConcerto.mp3 (abre em novo separador)

Fascínios opus 7, terceiro movimento da 1ª Sinfonia de Gustav Mahler

Para quem acompanha este blogue e desconhece ao que me refiro, soa um pouco estranho eu elaborar um artigo sobre uma sinfonia do respeitado Gustav Mahler no local onde costumo colocar as loucuras musicais. Mas é que o terceiro movimento da Primeira Sinfonia de Mahler denominado Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen (Solene e moderado, sem se arrastar) tem uma particularidade curiosa que chegou e chega a causar um sentimento bizarro para quem ouvia. A razão de tal acontecimento é pelo facto de que esse movimento tem como tema a melodia do Frère Jacques (ou Bruder Martin noutros países) no modo menor, modo este normalmente triste, contrariando assim o modo maior e alegre que quase toda a gente ouviu na sua infância.

O quão melancólico soa só de imaginar… Mas ele ainda tornou tal facto ainda mais triste quando começa com a melodia num contrabaixo e a faz passar pelos instrumentos de timbre mais nostálgico, ao ritmo de marcha fúnebre. A esta ironia está a evocação da infância de Mahler de uma maneira sarcástica e enriquecedora.

A respeito de tal sucedimento, Mahler escreveu:

«A ideia dessa peça veio ao autor por intermédio de uma gravura paródica conhecida por qualquer criança da Alemanha do Sul e intitulada “Os funerais do caçador”. Os animais da floresta acompanham o caixão do caçador morto; lebres empunham uma bandeira; à frente uma trupe de músicos boêmios acompanhados por instrumentistas gatos, corujas e corvos… Cervos, corças e outros habitantes da floresta, de pêlo ou pena, seguem o cortejo com fisionomias afetadas. A peça, com uma atmosfera ora ironicamente alegre, ora inquientante, é seguida de imediato pelo último movimento “d’all Inferno al Paradiso”, expressão súbita de um coração ferido no mais profundo de si…»

Com a interpretação da Filarmónica de Viena sob direção do aclamado Leonard Bernstein, disfrutem a paródia.

Frases emblemáticas opus 2

Frase do artigo O Poder da Música Sobre o Cérebro do Dr. Hélio Pothin

A música rock tem poder de influenciar comportamentos como ira, violência, sexo e estimular a dependência do prazer. Assim, aumenta o desejo por drogas ou comportamentos que estimulem o prazer e, portanto, o vício.

Lied Du Ring an meinem finger op.42/4 de Robert Schumann

Este é um dos mais bonitos lieder de Robert Schumann. Du Ring an meinem finger, o anel no meu dedo. É um canção chorosa e apaixonante com a beleza harmónica que só Schumann soube fazer. Pertence ao ciclo Frauenliebe und -leben (Amor e vida de uma mulher).

O poema fala-nos de uma rapariga que se tornou numa mulher e o seu namoro tornou-se em algo mais sério. Então por essa razão ela soa profunda e meditativa. Meditação essa por parte da protagonista que o que dantes eram sonhos de infância passaram a realidade, o anel simboliza essa nova vida. É sobretudo um passar da adolescência para a plena maturidade. O poema foi escrito por Chamisso, um revolucionário que exigia os direitos das mulheres. Daí a emancipação desta singular mulher que, fantasiosamente para quem ouve, canta com um sentimento tão nobre.

Com a interpretação da mezzo-soprano argentina Bernarda Fink, mais uma vez, deliciem-se…

Summer Music para quinteto de sopros op. 31 de Samuel Barber

Samuel Barber, norte-americano, é um dos meus compositores favoritos pela sua estética tão contemporânea e tão singela que me faz acreditar que na música o novo em folha ainda coincide com o belíssimo.

A sua obra mais conhecida é a Adagio for Strings que muita gente conhece, mesmo aquela que repugna música erudita visto que houve um certo Dj com alcunha de tampa de tacho que fez uma brincadeira com a melodia da obra. Mas não é dessa obra tão repetida também no mundo cinemático que vos falo aqui.

É do Summer Music para quinteto de sopros opus 31, obra esta composta para flauta, oboé, clarinete, trompa e fagote. Esta obra foi encomendada, teve a primeira exibição a 20 de Março de 1956 em Detroit e como parte do seu salário pela composição, Barber aceitou doações do público em vez de cobrar um montante fixo. A peça conseguiu chegar com mais entusiasmo e sucesso ao público do que os donativos chegaram ao bolso de Barber. Mas o importante é o sucesso.

A obra consta de um só movimento onde o compositor explora ao máximo as capacidades e riquezas de cada instrumento no meio de uma atmosfera sem muito júbilo, um equilíbrio entre a lamentação e alegria, mas sempre viva e presente, com uma serenidade de verão, tal como o nome o diz.

Com a interpretação do Ensemble Wien-Berlin, deliciem-se…

La Corazón de António Pinho Vargas

Com uma melodia estranha com um certo sentimento espanhol que também faz lembrar povos gípcios e até mesmo a dor fadística, esta peça tem um carácter melancólico, primeiro meditativo e depois completamente jocosa. Ela produziu-me um sentimento hipnótico de uma elegia cómica e dançante, como se aldeões bailassem pelas suas tristezas e amores. A obra é de autoria do professor António Pinho Vargas, reconhecido nome da música erudita portuguesa.