Vida de Francesco Landini

A maior parte dos leitores não deve conhecer este compositor que viveu no século XIV, em plena era medieval, e que faz parte dos compositores da segunda geração do Trecento italiano ou Ars nova italiana (mas que raio tem a Itália para fazer beldades na arte). Nascido em Florença a 1325, Francesco Landini foi um aclamado compositor que para além disso se dedicou à poesia, à interpretação e à construção instrumental.

Perdeu a vista na infância em consequência de um ataque de varíola. E não sei se será cruel dizer que ainda bem, porque se não assim fosse talvez seguisse apenas pintura como o pai e não se dedicasse à música para desgosto dos melómanos. Por causa de tal acontecimento, dedicou-se cedo à música.

Tem-se a ideia que dominou outros instrumentos para além do órgão, cantava e escrevia poesia, foi construtor e afinador de órgãos e construtor de instrumentos. De acordo com o cronista Filippo Villani, criou um instrumento chamado syrenam, completamente desconhecido agora.

Sendo um humanista, era um aficionado por temas filosóficos, éticos e astrológicos e abordou temas nos seus versos como o conflito entre a política e a religião na sua época.

Supostamente, foi galardoado pelo Rei do Chipre pelos seus feitos, mas há quem tenha duvidado disso.

Creio não ser necessário expor pormenores sobre sítios por onde andou, mas, como era de esperar, trabalhou em instituições religiosas onde praticou as suas actividades.

Faleceu em 1397 em Florença onde o seu túmulo foi encontrado no século XIX.

Das peças que sobreviveram, contam-se cento e cinquenta e quatro em que a maior parte são ballatas com a maior parte dos textos sendo de sua autoria. Porém, existem provas que ele compôs música sacra que não resistiu até aos dias de hoje.

Tal é o reconhecimento de Francesco Landini que está muito bem representado no Codex Squarcialupi, um manuscrito musical iluminado compilado em Florença, sendo a maior fonte de música do Trecento italiano. (figura acima, onde Landini toca um organetto)

Homenageado, Landini dá o nome a uma cadência característica sua, embora não tenha sido ele que inventou a cadência. A cadência é apresentada quando onde o sexto grau da escala (sobredominante) é inserido entre a sensível e a tónica.

Num dos seus textos musicados, ele canta «Eu sou a Música, e chorando lamento ao ver pessoas inteligentes esquecendo meus sons doces e perfeitos em prol da música das ruas». É incrível como passados tantos séculos ainda acontecem cenas tristes como estas. Parece que a humanidade nada evolui, apenas a sua tecnologia.

O vídeo colado ao artigo é da sua ballata a duas vozes Ecco la primavera que me soa como um hino à beleza e ao transcendental. É interpretado por um grupo denominado Anonymous 4. Caso queiram ver a letra em italiano do original ou inglês traduzido, podem vê-la na descrição do vídeo no Youtube.  Apreciem a beleza do antigamente.

Anúncios