Fascínios opus 4, Trilo do Diabo de Giuseppe Tartini

O violino, pelas suas origens populares, foi ganhando ao longo dos tempos anteriores à música contemporânea uma certa misticidade com alguma relação diabólica. Giuseppe Tartini ainda conseguiu aumentar mais essa fama e o violinista e compositor Niccolò Paganini quase fez crer as pessoas que tinha feito um pacto com o diabo devido à sua extrema virtuose que deixava plateias de boca aberta.

Tartini, compositor italiano do barroco nascido a 1692, assim aumentou essa teoria supersticiosa quando contou esta história deveras interessante com as suas exactas palavras:

«Numa noite, no ano de 1713, sonhei que tinha feito um pacto com o diabo pela minha alma. Tudo aconteceu como eu tinha desejado: o meu novo servo antecipou todos os meus desejos. Entre outras coisas, eu dei-lhe o meu violino para ver se ele conseguia tocar. Como me espantei ao ouvir uma sonata tão maravilha e bonita, tocada com tanta arte e inteligência, como eu nunca tinha imaginado nas minhas mais ousadas navegações pela fantasia. Senti-me arrebatado, encantado, numa outra dimensão: até a minha respiração me faltou, e – acordei. Peguei logo no violino para poder reter, em parte pelo menos, a impressão do meu sonho. Mas foi em vão… A música que eu tinha acabado de compôr era sem dúvida a melhor que eu já tinha alguma vez escrito, e ainda a chamei de Trilo do Diabo, porém a diferença entre o que escrevi e o que me comoveu no sonho era tão grande que eu estive quase para ter a coragem de destruir o meu instrumento e quase que desisti para sempre da música se fosse possível viver sem a alegria que isso me dá.»

E esta é mais uma das loucuras passadas no mundo musical erudito, com um certo romantismo no período barroco.

Composta para violino solo e baixo contínuo, esta sonata em Sol maior apresenta-se em quatro andamentos.

Aqui temos a interpretação do violinista israelita Itzhak Perlman, o famoso violinista que toca sempre sentado devido a uma doença que contraiu aos quatro anos.

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