A utopia democrática, crónicas opus 3

O Sábado fez umas perguntas a uns universitários. Eis o resultado:

(vejam o vídeo e depois o meu pensamento)

Apesar de me ter rido bastante, reflecti um pouco e pensei que a democracia nunca poderá existir. Como poderá um povo afirmar-se em simultâneo e comandar o mundo tendo em conta cada indivíduo quando existe ignorância deste tamanho no mundo? Admito que existiam algumas perguntas que são geralmente compreensíveis não saberem, como por exemplo o actor do filme “O padrinho”; ainda por cima, o cinema ainda não tem boas caras na arte erudita.

Concluí, que o povo deve ser conduzido por líderes, é o único caminho possível. Porque a ignorância aproxima-nos do nosso carácter animal, e o nosso carácter animal exige um líder (como podemos constatar nos símios e noutras espécies animais). Talvez a minha frivolidade seja muita a referir-me aos humanos como meros animais, mas enquanto a preguiça e a ignorância comandar o mundo estamos muito longe do humanismo e do ideal humano de assumir a sua superioridade. Mais uma vez, até poderia aplicar tal filosofia à música. Como tanta balbúrdia sonora nos aproxima da animalidade humana!…

Para além disso, desconhecia o perfil do jornal Sábado e a surpresa com que fico ao abrir o seu site e a ver enorme ignorância a nível jornalístico e os seus tratamentos de coisas banais. Enfim…

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Frases emblemáticas opus 3 – Crónicas opus 2, Música popular

Este artigo tem duas categorias porque é uma mistura das duas. A discussão entre minha pessoa e o sr. Leonardo Oliveira, um dos autores do blogue sobre música erudita Euterpe, instalou-se quando eu critiquei Schoenberg no artigo sobre a quinta sinfonia de Shostakovich. A conversa desenrolou-se via e-mail e cheguei a pedir-lhe opinião sobre a música popular industrial, a música popular que a maior parte das rádios reproduz. Eis que uma frase saiu das palavras do Leonardo que a meu ver é excelente e trata de uma forma resumidíssima o que se passa na nosso sociedade e no âmbito sonoro:

 «Sobre a música popular industrial, acredito sinceramente que seja uma adequação à sócio-economia atual de algo que sempre existiu: música despretensiosa e de consumo. Não vejo como fim dos tempos, mas como o modo do nosso tempo de marcar algo que sempre existiu, que é a mediocridade encontrando o espaço do menor esforço pra existir.»

Achei-a oportuna para partilhar com os leitores e adiciono dois links recomendados pelo Leonardo que referem a música popular. Apesar de eu ainda ver músicos do âmbito erudito a gostarem desse golpe sonoro populista e comercial, acho que é altura de esses e outros muitos abrirem os olhos. Os links são:

http://euterpe.blog.br/musica-e-cultura/musica-classica-um-genero-um-estilo-uma-prateleira-de-cds

http://euterpe.blog.br/filosofia-da-musica/musica-classica-o-conteudo-da-tecnica

Crónica opus 1, dia mundial da música

Hoje, 1 de outubro, celebra-se o dia mundial da música. Ora, para mim, é só mais um dia. Penso que estes dias são direcionados para quem se esquece da música e mesmo esses não se importam quando existe um dia assim. Os que a vivem todos os dias não precisam destes dias, todos os dias são musicais, todos os dias são sons, todos os dias são claves de sol.

Esta mania das pessoas organizarem datas próprias para celebrações já remontam há muito tempo atrás e não me seduz. Apesar disso, há quem o festeje organizando concertos e diversos. Mas, o principal problema é que todos comemoram e ninguém discute a oposição de música erudita versus música popular e outras diversas questões.

Há quem defenda que não existe nenhuma barreira a separá-las. Eu defendo que existe, mas só há pouco tempo é que se construiu esse muro. Houveram diversos compositores a aproveitarem recursos da música popular. Bártok é um dos grandes exemplos do uso da música popular húngara e romena. E mesmo o jazz já foi usado em composições eruditas (ver https://culturadoiro.wordpress.com/2011/09/29/the-ebony-concerto-de-igor-stravinsky/). Mas duvido muito que um compositor digno de si e com conhecimentos suficientes use a música popular de rádio que se apresenta tão fútil e desmedida.

Mas isto são ideias. As exigências têm que vir com o povo.

Alberto Augusto